Explorando a Experimentação Problematizadora nas aulas de Ciências

Quando se é um estudante de Licenciatura em Pedagogia não são poucas as vezes que ouvimos falar da práxis pedagógica ou, em outras palavras, a união indissociável entre teoria e prática nas relações de ensino-aprendizagem. É partindo dessa teoria freiriana que a Experimentação Problematizadora surge, reforçando aquilo que foi anteriormente dito por Paulo Freire, que é insuficiente trabalhar apenas a teoria ou apenas a prática, uma vez que esses elos devem ser vistos como partes inseparáveis do processo de ensino e aprendizagem.

Mas sobre que tipo de experimentação estamos falando neste texto? Basta fazer com que os estudantes participem de alguns experimentos de ciências nas salas de aula, levando-os a levantar hipóteses que, em seguida, seriam levadas ao professor que fecharia as possíveis lacunas? A resposta é simples, NÃO! A Experimentação Problematizadora requer uma postura rigorosa e crítica dos estudantes durante as atividades experimentais. Eles são incentivados a levantar hipóteses, discutir com colegas e refletir sobre os resultados com o professor. Os experimentos devem permitir que os alunos façam uma "leitura-de-mundo" dos fenômenos naturais. O papel do professor é guiar a problematização e promover a discussão para ajudar os alunos a interpretar e compreender melhor os resultados. A atividade experimental deve promover uma curiosidade epistemológica, estimulando os alunos a questionar e expandir constantemente seu conhecimento.

Durante os longos, e quase intermináveis (é assim que sinto), anos que venho fazendo faculdade, somos direcionados a atuar como docentes de forma a promover o que Paulo Freire chama de Pedagogia Libertadora. É fazer com que o estudante seja ativo no processo de ensino-aprendizagem, de forma que o fim último não seja apenas o ato de aprender, mas de aprender de maneira crítica e reflexiva. É fomentar nos estudantes a capacidade de olhar para sua realidade com olhos questionadores, e não levar o conhecimento apenas como forma de manutenção social.

A Experimentação Problematizadora, portanto, é uma abordagem que promove um aprendizado ativo, crítico e reflexivo. Os alunos são incentivados a construir, questionar e aplicar o conhecimento de maneira contínua e dinâmica, alinhando-se com a visão de Paulo Freire sobre uma educação que respeita e desenvolve a curiosidade e a criticidade dos alunos. E é isso que eu, como estudante de Pedagogia, penso ser o ideal para a prática pedagógica. Não apenas a Experimentação Problematizadora, mas toda e qualquer prática que desenvolva nos estudantes seu olhar crítico, e o torne ativo no processo de ensino e aprendizagem.


Autor: Adriano Medeiros dos Santos Filho

Comentários

  1. Muito bom. Agora, uma pergunta: em sua opinião, a aula que seu grupo desenvolveu no laboratório de biologia, sobre microrganismos, foi desenvolvida segundo a experimentação problematizadora? Ela permitirá aos estudantes do ensino fundamental I "aprender de maneira crítica e reflexiva"?

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